quarta-feira, 22 de maio de 2013

Mais uma Marcha!



Em três dias acontecerá a terceira edição da Marcha das Vadias em Belo Horizonte.  Muita água rolou debaixo da ponte para chegarmos até aqui. Algumas conversas no ano passado, a vontade de fazer um movimento mais politizado, mais incluso e diverso foi exaltada por quem já estava envolvido na articulação da Marcha anterior.

A cada ano, um novo aprendizado. A Marcha continua sendo um ponto de debate e polêmica para muitos, seja pelo nome, seja pelo seu objetivo, seja – principalmente – porque algumas (e coloco em negrito porque não é regra da Marcha) das participantes mostram seu corpo, como se isso não acontecesse (e fosse aplaudido) em programas de televisão, no carnaval... Talvez porque, no caso da marcha, o corpo está sendo exposto com uma conotação política, o que, por si só, já deveria ser motivo de aplausos. Mas não é o que acontece.

Marcha das Vadias! Só mesmo pessoas livres para se apropriarem de um termo tão carregado de cunho ofensivo e transformá-lo em símbolo de alegria, de amor, de diversidade e, principalmente, de liberdade. 

Claro, como sempre acontece em coletivos, teve vozes discordantes.  Algumas feministas questionaram a maneira como a Marcha foi articulada. Tentamos, de todas as formas, que houvesse uma participação plural e ativa. O grupo começou a se movimentar a partir da página da Organização Nacional da Marcha das Vadias e criamos um grupo no Google para facilitar a troca de emails.

E é claro que, na correria do dia a dia, teve gente que se esqueceu de aceitar o convite. Ou gente que se ofereceu para participar por meio da página da Marcha e o inbox passou batido. 

Teve gente que não gostou de não ter tido um debate prévio (eu mesma sugeri um, mas quem estava disponível para fazê-lo acontecer?); outra afirmou que a construção deveria ter sido mais divulgada, mais ampliada, mais, mais, mais...

Enfim, não conseguimos. Não como gostaríamos. Não como deveria. Amanhã , na praça Sete, às 18h30, faremos uma reunião para debater esse e outros aspectos dessa Organização que contava inicialmente com mais de cinquenta pessoas e, no fim, teve a participação efetiva de umas oito, dez pessoas.  O objetivo é esse mesmo, olhar para nossos erros e ver como poderíamos fazer melhor. Antes tarde do que mais tarde!

Mas meu texto aqui não é sobre a Marcha. E é. É sobre a violência. Essa violência bárbara que faz com que a cada três minutos uma mulher seja violentada no Brasil. Essa violência que humilha a tal ponto que apenas duas entre 10 vítimas reúnem coragem para denunciar. 

E a violência começa na ofensa. Vadia! Grita o homem do automóvel que quase atropelou uma amiga ciclista alguns meses atrás, quando ela reclamou da barbeiragem. Vagabunda! Cochichou outra mulher ao ouvido da amiga quando uma jovem passou na frente delas, de vestido curto e leve, em pleno verão quarenta graus em Horizonte Hell; Sem vergonha! Pensou o Senhor ao ver a tatuagem na perna da menina que estava sentada ao lado dele no restaurante.

Vadia significa aquela que não tem ocupação, que não faz nada, de acordo com o Dicionário Priberam. Mas, na forma pejorativa, vadia é sinônimo de prostituição. E aí entra a beleza, o divertimento maior da Marcha: transformar essa alcunha em uma palavra muito preciosa para o ser humano – liberdade!

Sejamos livres. Livres de estereótipos, de preconceitos, de amarras. Sejamos livres, afinal, para sermos quem desejamos ser.  Ou, como disse a vadia da Simone de Beauvoir: “Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.”

Vem, vem pra Marcha Vem!

P.S. Quer participar da Marcha? Olha abaixo quanta coisa bacana que está rolando então:

Reunião aberta para debater a Marcha
Data: 23/05/2013
À partir das 18h30
Local: Praça Sete, ali na escadinha

Esquenta:
Oficina ABRAPSO BH – GT Sexualidade e Gênero
Data: 25/05/2013
10:00: roda de conversa sobre violências contra as mulheres
11:30: oficina de cartazes
Local: DA Psicologia PUC São Gabriel.

Oficina de Cartazes para Marcha das Vadias
Data: 25/05/2013
À partir das 10:00 
Local: Praça da Rodoviária

Oficina de Cartazes Grupo de Estudos Direito e Feminismo da UFMG
Data: 25/05/2013
À partir das 10:00
Local: Faculdade de Direito da  UFMG Av.  João  Pinheiro,  100, 3 andar (CAAP)

Marcha das Vadias
Data: 25/05/2013
Concentração: 13 Horas
Local: Praça da Rodoviária
Saída: 14 horas

Nunca precisei do Feminismo


Por Anna Bella Bernardes


Meu pai foi sempre quem cozinhou melhor e assumiu a cozinha lá de casa. Minha mãe adora dirigir e já viajamos até pra praia enquanto meu pai  não pega  nem rodovia. Por ser mais alta (e corajosa) minha mãe foi quem sempre trocou as lâmpadas queimadas da casa. Ela também foi a primeira da família toda a fazer uma faculdade. Enquanto ela já tinha pós, meu pai estava entrando na faculdade. 

Eu nasci em 1992 e a minha chamada “Geração Y” já nasceu com direito à voto feminino, seguridade de direitos trabalhistas e não enfrentou  grandes conflitos, como os caras pintadas na época da ditadura. 

Nunca fui abusada, estuprada ou sofri algum assédio sexual ou moral no trabalho. Não enfrento o preconceito e exploração que sofrem as prostitutas. Não sou lésbica ou bissexual e nunca precisei lutar por direitos de união homoafetiva. 

Sou branca, de classe média, faço faculdade, pertenço a uma elite cultural e nunca precisei do feminismo…

 De certo esta é a realidade de muitas mulheres que defendem com convicção o não integrar ao feminismo. Assim como eu, muitas não sofreram ou sofrem grandes reflexos do machismo e acabam se acomodando ao chamado “machismo velado”. Está aí a página Moça, você é Machista para provar isto. O “machismo velado” nada mais é do que o receber uma cantada preconceituosa na rua, o não usar aquele decote por causa de um namorado, o não poder trabalhar fora de casa, o não cursar uma faculdade etc etc. 

Com o passar dos anos a situação das mulheres vem mudando e estamos lutando cada vez mais para garantir nosso lugar ao sol, mas o que muita gente se esquece é que centenas de mulheres precisaram sair às ruas, queimarem sutiãs, serem presas, torturadas e enfrentarem uma sociedade patriarcal tradicionalista para que diversos direitos fossem assegurados a partir das décadas de 1960 e 1970, como o direito a propriedade, de contrato de voto, e certamente o de liberdade, que ainda não é total, mas já foi ampliado em muitos aspectos. Só não podemos esquecer que a luta continua…

Contrariando o pensamento de uma maioria machista, o feminismo ainda existe e continua com a sua ideologia de lutar pela igualdade dos gêneros e garantir direitos às mulheres, que sempre sofreram exploração, violência e preconceito. Novas lutas surgem. Movimentos para garantir a autonomia e à integridade do corpo feminino ganham força a cada dia, pelos direitos ao aborto e pelos direitos reprodutivos, assim como a proteção de mulheres contra a violência doméstica, o assédio sexual e o estupro.

Outro dia, uma colega minha da faculdade disse que é contra o feminismo e à favor do humanismo, que acha que os homens e mulheres precisam ter direitos iguais. Mas isto não é feminismo?  Humanismo não tem nada de luta de gênero, e sim uma filosofia de vida que confirma a habilidade e responsabilidade dos humanos em levar vidas éticas de realização pessoal guiadas pela razão e pela compaixão em vez de pelo sobrenatural. Muitxs humanistas são feministas e vice versa. Fato é que nem todos os humanos estão no mesmo patamar. Existe desigualdade entre  homens e mulheres, e o movimento feminista visa corrigir isto. E ele tem esse nome não para buscar mais “poderes” às mulheres, mas para corrigir a desigualdade que as mulheres sofrem. Fico me perguntando, se uma estudante de jornalismo que é tida como moderna e descolada pensa assim, o que as pessoas no geral, principalmente os homens, pensam da Marcha das Vadias?

A Cynthia Semíramis do Blogueiras Feministas fez um ótimo esclarecimento aqui sobre o uso do termo vadia: '“Vadia” é um termo usado de forma pejorativa para criticar somente mulheres (homens não são considerados vadios!) e constrangê-las a assumir um papel de gênero bastante restritivo. As mulheres ainda são ensinadas a não serem vadias, que isso é “repulsivo” e “inadequado”. Porém, no fim das contas, somos todas vadias: basta a mulher fazer algo que não agrada às pessoas para ser chamada de vadia, mesmo que ela esteja com a razão. É contra essa cultura misógina que estamos lutando porque legitima violência e fere a liberdade das mulheres de serem quem desejam ser."

Pelo terceiro ano, no sábado dia 25 de maio, Belo Horizonte vai realizar a Marcha das Vadias. Então, vem vadiar na marcha, vem! www.facebook.com/events/453360561425436

Beijos vadios! ;*

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Qual a sua Vadiagem?

Fotografia por Camila Penna
Arte Gráfica: Raquel Pinheiro


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Seguidores

Newsletter

Postagens populares